Experienciamos a dor desde o nascimento. Em alguns casos, antes do parto, bebês passam por situações dolorosas. No decorrer da vida, ela nos acompanha como se fosse a nossa própria sombra. Ainda que queiramos, não podemos escapar da dor. Contudo, apesar de parecer nossa inimiga, paradoxalmente, a dor é fundamental para a sobrevivência humana, pois nos “avisa” quando algo vai mal.

Quando você faz aquele jantarzinho gostoso para o seu amor (o amor pode ser o gato, cachorro… tá valendo) e por acidente queima a sua mão. A primeira reação é afastar-se imediatamente do fogo ou do calor! Isso só é possível devido ao alerta disparado por sensores ao seu sistema nervoso central, resultando em dor e forçando-o a afastar-se do perigo. Sendo assim, se o seu corpo fosse insensível à dor, muitas tragédias ocorreriam.

Dores de alma

Obviamente, existem outros problemas relacionados à dor. Traumas gerados por perdas de entes queridos, relacionamentos amorosos despedaçados, perdas de auto estima, perdas de bens materiais etc. Dores de alma, de modo geral. Logo, podemos dizer que a dor é empiricamente natural, necessária e por vezes inevitável.

Cada um tem a sua

Embora os seres humanos tenham estruturas biológicas muito semelhantes, a percepção de dor pode variar. Ou seja, o modo como organizamos e interpretamos as informações captadas pelos sentidos, ao longo da vida, é único em cada indivíduo.

Por exemplo, se alguém nos der bolas amarelas idênticas e pedir para descrevermos sua cor, certamente nós diremos: amarela. Mas, ao perguntar a que tipos de experiências a cor amarela nos remete, com certeza a nossa resposta será distinta. O mesmo acontece com a dor: Cada pessoa percebe-a de modo diferente.

Sendo assim, é importante respeitar a dor alheia, bem como a sua própria. As experiências dos outros não podem determinar o tamanho da sua dor. Tampouco, temos condições de avaliar de maneira exata a extensão da dor do outro.

Tem prazo de validade

Toda dor exige tempo para cessar. Em processo terapêutico, a dor pode manter-se por um tempo; isso é normal. Mas lembre-se que a dor é como uma sirene avisando que algo está errado. Enquanto a ferida estiver aberta, a dor persistirá. Desse modo, se você tem uma dor intensa que não cessa, procure ajuda!

Respeitar a dor, portanto, é entender que cada pessoa percebe-a de modo diferente, que senti-la é normal, mas fazer dela a sua melhor amiga pode ser muito prejudicial à saúde. Trate-a de forma adequada.

Finalizo com uma frase do sábio Rei Salomão, para refletir:

“[Há] tempo de chorar e tempo de rir, tempo de prantear e tempo de dançar”.