Hoje tive a segunda aula de psicanálise no curso de Psicologia. Não tem sido fácil este segundo semestre. Confesso que algumas vezes gostaria de estar trabalhando em vez de ir pra faculdade. Não pela faculdade, mas devido a necessidade de um rápido-e-significativo-aumento-em-minha-renda para cumprir os projetos que tenho em mente. Na verdade, gostaria mesmo é de não ter que me preocupar com a falta de dinheiro. Bom, aí é pedir demais, né?!

Voltando à psicanálise.

Deus nos agraciou neste semestre com ótimos professores. É claro que devo este feito, também, à nossa querida coordenadora do curso, a profe Vanessa Pereira. No ano passado, a interação com os docentes foi, digamos, pouco agradável. Com ricas exceções, é claro. A psicanálise entra neste período com uma professora excelente! Milene Teixeira me surpreendeu, tanto pela riqueza do conteúdo apresentado em aula quanto pela humanidade com que consegue transmitir a matéria.

Dei meus primeiros passos nessa área do conhecimento. Pouco sabia sobre psicanálise, a não ser que Freud foi um velho meio tarado que via sexo em tudo. Fiquei chocado também quando um dia, antes do curso, soube que esse notório senhor foi viciado em cocaína. Já na primeira aula, semana passada, aprendi que a história não é essa. Freud não via sexo em tudo. Bom, talvez ele visse, mas não da forma como eu pensava. A sua própria vivência era analisada por si mesmo como matéria-prima para o estudo da mente humana. Além disso, Sigmund Freud não conhecia o poder viciante da cocaína (ninguém sabia na época) e, inclusive, receitava a alguns pacientes como reforço no tratamento. Para ele, era simplesmente um estimulante — muito eficiente, por sinal. O fato de que a cocaína vicia foi descoberto depois, quando então abandonou o consumo do “medicamento”. O moço sequer se viciou, pois consumia o produto intermitentemente e em doses pequenas. Descobri nessa primeira aula mais do que a ementa da disciplina. Descobri uma professora apaixonada pelo que faz e pelo conteúdo que leciona. Descobri também que poderei tomar gosto pela psicanálise, pois o seu objeto de estudo é o inconsciente.

Em certo ponto da vida, me dei conta que sou uma pessoa bastante perceptiva, intuitiva. Comumente interpreto, ainda que de modo superficial, porém muito real, os sentimentos das pessoas, seus anseios e de certo modo até pensamentos. A Agda, minha namorada, que o diga! Isso não tem nada a ver com mediunidade ou algo do gênero. Para mim, é pura percepção do outro. E isso vem ao natural. Simplesmente acontece. Sendo assim, creio que o estudo da psicanálise, agora e ao longo da vida, trará para mim respostas para muitas dúvidas e irá permitir um refinamento dessas habilidades, possibilitando servir o próximo de modo ainda mais prazeroso e eficaz.

Como digo volta e meia, não sei o futuro. Talvez ali na frente me encantarei com outra disciplina da Psicologia, depois outra e mais outra. O certo é que sinto uma alegria muito grande em sair de casa às quintas-feiras à noite, pois sei que terei uma aula encantadora.

Publicado originalmente em 16/02/2017 no Blog do Arildo.