Alguns já passaram por esse problema na família, outros poderão passar. Embora pareça distante de nós — até acontecer, o suicídio é uma realidade dura que toma de assalto muitas famílias.

No mês de setembro, desde 2014, acontece uma campanha nacional que visa a conscientização sobre a importância da prevenção ao suicídio: o Setembro Amarelo. A frequência de suicídios no Brasil de fato preocupa e tem aumentado entre jovens:

“Em 1980, a taxa de suicídios na faixa etária de 15 a 29 anos era de 4,4 por 100 mil habitantes; chegou a 4,1 em 1990 e a 4,5 em 2000. Assim, entre 1980 a 2014, houve um crescimento de 27,2%.” — Dados obtidos do Mapa da Violência 2017, estudo publicado anualmente a partir de dados oficiais do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde.

O que levaria alguém a tirar a própria vida? Como pode uma pessoa que parecia tão feliz terminar assim? Essas perguntas normalmente vêm à mente, principalmente, quando o fato ocorre com alguém que conhecemos. Muitos se arriscam a pressupor respostas, muitas vezes sem fundamento e, em vez de ajudar, acabam por piorar o sofrimento da família enlutada.

Porém, neste assunto não existem respostas simples.

Especialistas apontam que na maioria dos casos de ideação suicida não há a real intenção de tirar a vida. O que se quer é acabar com a dor.

Um dos erros mais comuns cometidos em relação ao outro, especialmente com quem passa por transtornos psíquicos, como a depressão ou a ansiedade generalizada, é ignorar queixas de dor. Toda dor precisa ser considerada, averiguada, tratada.

Vale lembrar, no entanto, que nem sempre a dor se manifesta de forma física (embora dores psíquicas possam somatizar, afetando o corpo). Existem dores de alma, difíceis de medir. Sentimentos e pensamentos indizíveis que podem ter raízes tão profundas que a própria pessoa não sabe expressar conscientemente. Nesse momento a pessoa encontra-se fragilizada e suas percepções podem ser abaladas, tornando o suicídio uma opção.

Estudos científicos recentes confirmam que o cérebro de uma pessoa com depressão, por exemplo, transtorno frequentemente ligado ao suicídio, é diferente do que não sofre depressão.

“O cérebro com depressão possui alterações em termos de estrutura e função. Alterações que em essência são disfuncionais, ou seja, prejudiciais. Não é a toa que muitas vezes tratamentos estritamente psicológicos e comportamentais, como a terapia, não são suficientes para o tratamento da depressão, tornando necessárias outras terapêuticas como, por exemplo, o uso de medicamentos.” — CALABREZ, Pedro; professor e pesquisador no Laboratório de Neurociências Clínicas da UNIFESP.

O meu desejo é que você, diante dessas informações, reflita sobre o modo que tem tratado as pessoas ao seu redor. Por certo, todos nós sofremos em alguma medida, sentimos dor, temos privações. Mas existem aqueles que já sofrem tanto exterior ou internamente que ‘não precisam’ de dores desnecessárias, fardos pesados, exigências por capricho.

Preste mais atenção aos sinais. O filho rebelde, a esposa desleixada, o marido indiferente, podem ser indícios de dor de alma. Como você tem contribuído para amenizar a dor do outro?